Dica de hotel incrível em Quebec, o Auberge Saint-Antoine

Entrada principal do Auberge Saint-Antoine – Crédito: Divulgação

Quando planejei minha última viagem pelo Canadá e Estados Unidos tinha certeza de uma coisa: Québec seria meu lugar preferido. Apesar de ter amado Toronto e me surpreendido muito o destino, minha intuição estava certa, amei Quebec, foi minha favorita de um longo roteiro de 17 dias. E, com certeza, o que tornou minha estadia mais especial foi ter me hospedado no hotel Auberge Saint-Antoine.

Fundada em 1608 por franceses, às margens do Rio São Lourenço, a cidade tem uma parte antiga incrível, o centro histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1985. Andar pelas ruas de Old Quebec é uma mistura de viagem no tempo e dar um pulinho na França sem sair da América. Aliás, Quebec é a única cidade amuralhada ao norte do México.

Minha hospedagem no Auberge Saint-Antoine foi tão especial porque no hotel você se sente parte da história de Quebec. Localizado no Old Port (Porto Velho) de Quebec, de frente para o Rio São Lourenço, o espaço onde hoje é o hotel já teve cais, docas, local de estoque de canhões e armazém. A área também passou por processo de aterramento e ficou abandonada por muitos anos. Foi comprada pela família Price, que transformou a construção no belo Auberge Saint-Antoine em 1922, com apenas 23 quartos. Após várias ampliações, o hotel conta, hoje, com 95 quartos, restaurante e bar.

Mais uma parte do hotel vista de fora

Serviço impecável

Fiz essa viagem com meu noivo, o Rodrigo. Ele dirigiu de Toronto a Quebec, cerca de 800 quilômetros, em um dia. Perto de Quebec, começou a nevar muito e a cidade nos recepcionou com toneladas de neve. Quando alcançamos o hotel, o manobrista já veio ao nosso encontro. O estacionamento é coberto e sempre há manobristas para ajudar. Custou 30 dólares canadenses por noite (valor de abril de 2017). Há estacionamentos ao redor, mas não são muito mais baratos e, em tempos de nevasca, a vantagem é que o do Auberge Saint-Antoine é coberto.

O hotel é de luxo, faz parte da associação Relais & Châteaux, porém, não há nada de ostentação. Apesar de tudo ser bem decorado e de extremo bom gosto, tudo é muito discreto e chique, inclusive os funcionários. Aliás, são todos muito atenciosos, a concièrge, Geneviève Guay, nos ajudou com todas as dúvidas. Ela nos deu mapas, nos mostrou como desbravar a cidade a pé, fez reservas e nos indicou restaurantes com várias faixas de preços. No Panache Restaurant (que agora se chama Chez Muffy), onde tomávamos café, as garçonetes já sabiam nossas preferências no segundo dia de estadia. Ou seja, tudo perfeito, como podemos esperar de um hotel membro da Relais & Châteaux.

Sala ao lado da recepção

Aliás, gosto muito dos hotéis Relais & Châteaux não apenas porque são luxuosos, mas porque todos os membros devem seguir um manifesto da associação. Basicamente, eles seguem 20 compromissos com a gastronomia e a hospitalidade para criar um mundo melhor a partir desses conceitos.
Dois compromissos ficam bem evidentes para qualquer hóspede comum. Claro, alguns deles não conseguimos identificar porque são empregados na maneira como o hotel é direcionado internamente. Mas o compromisso número 1 do manifesto da Relais & Châteaux é o seguinte: oferecer uma gastronomia que seja o testemunho e a expressão de um ambiente natural, de um ambiente cultural e de uma história local para ilustrar a diversidade cultural das gastronomias do mundo. E foi exatamente isso que eu puder perceber apenas pelo café da manhã, com deliciosos e frescos produtos locais, como queijos e pães.

O compromisso número 14 do manifesto é o seguinte: Desenvolver “a arte de cuidar do outro” pela honra e pelo prazer de servir, dispensar a todos uma atenção especial e fazer da experiência Relais & Châteaux um momento único, fraterno, estimulante e inspirador. Não só no Auberge Saint-Antoine, mas em todos os hotéis membros da Relais & Châteaux que eu já passei, me senti assim. No Saint-Antoine todos eram muito atenciosos, cuidavam dos mínimos detalhes. E isso não acontece porque é um hotel de luxo, já fiquei em outros hotéis luxuosos no Brasil e pelo mundo que os colaboradores não dão toda essa atenção ao hóspede. Por outro lado, às vezes me hospedo em hotéis econômicos, como o Ibis, e sou extremamente bem tratada, acredito que tudo isso seja treinamento das empresas para que sua ideologia seja seguida.

Nosso quarto

Quando tenho vontade de morar em um quarto é porque o hotel me conquistou. Fiquei no quarto número 608 e ele tinha um nome: Ruby Room. Como o Auberge Saint-Antoine já foi muitas coisas e tem uma história de vida longa, em 1988, a família Price, proprietária do hotel, começou uma série de escavações no local em conjunto com a Université Laval e o governo municipal para recuperar objetos soterrados no espaço ao longo dos anos. Diversos artefatos, como pedras preciosas, talheres e louças foram encontrados. As peças estão expostas por todo o hotel, incluindo os quartos. Como o objeto colocado no quarto que fiquei era um rubi rosa, o quarto recebeu esse nome. Ao lado da cama, no meu criado-mudo, a pedra estava lá, iluminada, um charme.
Há oito categorias de apartamento no Auberge Saint-Antoine em Quebec. A minha era uma das mais completas, um Luxe Terrace Foyer. Tinha 37m² e um belo terraço com vista para a cidade antiga. Quando chegamos, levamos um susto: ao abrirmos as cortinas notamos que o terraço tinha uns 2 metros de neve acumulada! Havia nevado muito durante todo o dia e já era noite.

Cenas do quarto 608, o Ruby Room

A cama era incrível, muito confortável, lençóis bem macios, travesseiros com penas de ganso, perfeita. Em frente dela, uma lareira. Posso dizer que com o frio que fazia, devia estar 0ºC, fiquei muito feliz com esse item. Tínhamos uma sala espaçosa com bancada para trabalho e um espaço com armário e frigobar.
O banheiro, então, parecia saído dos meus sonhos. Vou começar pelo chão aquecido. É muito ruim quando estamos num lugar muito frio, vamos ao banheiro e esquecemos o chinelo, o piso está sempre congelando. E, no Auberge Saint-Antoine, ele estava sempre quentinho por conta do aquecimento. Havia, ainda, duas pias, uma para mim e outra para o Rodrigo, perfeito. Eu sempre viajo com muitas coisas e se temos que dividir a pia fica uma bagunça. O secador era ótimo. O roupão era grande, serviu em nós dois. Somos altos e gordos, não é sempre que um roupão de hotel consegue nos vestir.

Nossa varanda coberta de neve

Lareira em frente à cama

Armários espaçosos e, ainda, tábua de passar e ferro

O vaso sanitário era quase uma novidade para mim. Era daquele tipo inteligente. Explico: o vaso, além de ter o assento sempre aquecido, possui um controle com várias funções. Por exemplo, se fazemos o número 2, podemos escolher receber um jato de água no bumbum e, depois, é só escolher a opção de secagem e algo como um secador faz o serviço. Isso mesmo! Tudo quentinho e higiênico. Uma semana antes de me hospedar em Quebec, eu não sabia que isso existia, mas fiquei em um hotel em NYC, o The Kitano, que usa o mesmo sistema.

A área de banho era outro espetáculo. Uma banheira espaçosa, xampu, condicionador e sabonetes bons e cheirosos e um chuveiro separado da banheira. Ficamos três noites no hotel e quando fomos embora um pedacinho do meu coração ficou por lá.

Banheiro com duas pias e piso aquecido

Vaso inteligente, assento aquecido e outros “mimos”

Controle para regular o vaso sanitário

Quarto lindo que fomos conhecer

Áreas comuns
Eu não tive muito tempo para usar as áreas comuns do hotel, mas visitei todas elas. Tem uma boa academia, incluindo espaço para yôga. Quem preferir, pode agendar uma aula da modalidade, inclusive. Tem sauna também no espaço. Não podia faltar um spa com tratamentos para beleza e relaxamento. Aliás, ele é bem bonito, é possível ver parte das paredes da construção original.

Um lugar que achei o máximo é a auditório. Originalmente, é uma sala para apresentações em eventos com 94 lugares. Porém, os dias que está livre, os hóspedes podem usá-la como cinema. Não é o máximo? Gostei bastante também da sala com lareira que há na recepção, é bem moderna e aconchegante.

Auditório que pode ser usado como cinema pelos hóspedes

Recepção do spa

Gastronomia
Quando nos hospedamos no Auberge Saint-Antoine (abril/2017), tomávamos café todos os dias no Panache. Mas o restaurante mudou de nome e agora se chama Chez Muffy. Vi o cardápio na internet e, pelo menos o café da manhã, continua o mesmo. O conceito dele é levar alimentos diretos da fazenda para a mesa. O hotel tem uma fazenda própria em Ilê d’Orléans.

No café da manhã, pode pedir pratos à la carte ou aproveitar o buffet, que não é grande, mas tem deliciosos croissants, queijos, embutidos, frutas e iogurtes. Custa 23 dólares canadenses por pessoa. Os pratos à la carte são muito bem servidos, para ter uma ideia, eu só pedi um no primeiro dia e desisti nos outros porque comia muito, fui no buffet mesmo. Tudo era uma delícia e bem fresco. E o ambiente? Bem rústico e chique ao mesmo tempo, com lareira, claro. Quando estávamos lá, nevava e a paisagem da janela, toda branquinha, parecia de sonho. O Chez Muffy também serve almoço e jantar, mas não fizemos nenhuma outra refeição lá além do café da manhã para podermos conhecer outros locais da cidade também.

Há, ainda, um bar, o Artéfact. Ele tem bons pratos e música ao vivo alguns dias da semana. O cardápio do room service é bem parecido com o do bar. Uma noite, pedimos comida no quarto e estava deliciosa e o preço foi bem justo para a cidade.

Delícias do café da manhã

Eggs Benedict para o café da manhã com seus vários acompanhamentos

Chez Muffy – Crédito: Divulgação

Da janela do Chez Muffy no inverno

Quebec coberta de neve vista do Auberge Saint-Antoine

Localização

A localização do Auberge Saint-Antoine não podia ser melhor, em frente ao Rio São Lourenço. Ele fica na área antiga do porto, a dois minutos a pé do Terminal de Balsas. Aliás, atravessar o rio de balsa é ideal para ter uma bela vista da cidade, mas o dia que fizemos o passeio o dia estava bem fechado. As ruas ao redor são todas antigas e charmosas. Logo atrás tem a funicular, para subir até a parte alta da cidade. Pertinho dele tem restaurantes, bares e mercados.

Do lado direito, quase no cantinho da foto, tem um prédio amarelo, é o Auberge Saint-Antoine visto do rio

Testado e aprovado!

Se já acompanha o blog deve saber que temos o selo “Testado e Aprovado’. Ele serve para mostrar que realmente estivemos em um lugar, não é uma matéria pronta (não temos nenhuma aqui) e que, realmente, aquele estabelecimento, seja um hotel, restaurante, etc, recebe bem seus clientes e cobra o justo por aquilo que oferece.

O Auberge Saint-Antoine realmente nos conquistou. Ficamos nele convidados, mas, caso não fosse bom, não escreveria uma linha sobre ele. Em Quebec o hotel mais famoso é o The Fairmont Le Château Frontenac. Realmente, o Fairmont é lindo, impossível passar por Quebec sem notá-lo, é um prédio histórico da região e o hotel mais fotografado do mundo. Entre nele para visitar e, por dentro, é lindo também. Porém, o Auberge Saint-Antoine não deixa nada a desejar para quem procura uma boa hospedagem de luxo. A princípio, pensei em ficar no Fairmont, mas, quando saí do Auberge Saint-Antoine tive a certeza que a viagem não seria tão perfeita caso não tivesse me hospedado nele.

Passamos três noites no Auberge Saint-Antoine

Serviço

Auberge Saint-Antoine
Site: saint-antoine.com
Diárias: a partir de US$ 160
Endereço: 8, rue Saint-Antoine, Quebec, QC, Canada, G1K 4C9

Texto: Sylvia Barreto / Fotos: Rodrigo Barrionuevo

*Nos hospedamos a convite do Auberge Saint-Antoine com apoio da Relais & Châteaux

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