Viagem de carro entre EUA e Canadá

Optamos pelo carro pelas seguintes razões: praticidade e conforto, além de preço atraente

Viajar de carro em países estrangeiros pode gerar diversas dúvidas. Ainda mais quando fronteiras entre duas nações serão cruzadas ao longo da rota. Quando planejei fazer uma viagem de carro de 11 dias por Estados Unidos e Canadá junto com Rodrigo (meu noivo e quem faz as fotos do site), pesquisamos bastante antes de fechar nosso roteiro e também pesamos se valia a pena escolher entre um veículo alugado, avião ou trem.

Depois da pesquisas, decidimos alugar um carro para sair de Nova York dia 31 de março (2017) e devolvê-lo na mesma cidade em 11 abril (2017). Após nossa saída, as paradas foram: Niagara Falls, Canadá; Toronto, Canadá; Cidade de Quebec, Canadá; Mont Sutton, Canadá; Nashua, Estados Unidos e Central Valley, Estados Unidos. Os detalhes da rota estão abaixo.

Nova York – Niagara Falls, Canadá = 662 quilômetros

Niagara Falls – Toronto = 131 quilômetros

Toronto – Cidade de Quebec = 805 quilômetros

Cidade de Quebec – Mont Sutton = 276 quilômetros

Mont Sutton – Nashua, já nos EUA = 344 quilômetros

Nashua – Central Valley = 376 quilômetros

Total= 2678,5 quilômetros

Mapa do roteiro que fizemos entre EUA e Canadá

O que pesou na nossa decisão? A praticidade e o conforto de um carro. Adoro viagens de trens, porém, pelo Canadá, há franquia de bagagem, assim como nos aviões. Além disso, locar um carro nos Estados Unidos é muito econômico (preços mais adiante). Já era outono no hemisfério norte, mas fazia uma onda de frio fora de hora e as temperaturas estariam muito baixas. Como Rodrigo e eu somos grandes e gordos, nossas malas são bem pesadas, ainda mais com roupas quentes. Por isso, achamos mais práticos apenas tirar as malas do carro para os hotéis do que ter que nos preocuparmos com isso em aviões e trens.

O que é preciso para locar um carro nos EUA ou Canadá?

O ideal é ter mais de 21 anos. Se tiver 19 ou 20 anos, até consegue alugar um carro, mas não de todas as categorias, apenas os mais básicos. É preciso que o condutor tenha um cartão de crédito internacional válido que será apresentado no momento da retirada do veículo e usado para todas as eventuais cobranças. A Carteira Nacional de Habilitação do Brasil deve ser apresentada e ter sido expedida há mais de um ano e não estar vencida. Existe a Permissão Internacional para Dirigir (PID), expedida pela Detran e com taxa, que é recomendada para quem quer dirigir no exterior, porém, nunca tivemos necessidade de apresentar esse tipo de documento. Na hora da locação também é pedido o passaporte válido de cada condutor. É bem simples, quase nada burocrático.

A escolha da locadora e do carro

Como antes de sair de Nova York nós passaríamos alguns dias na cidade, queríamos uma locadora com loja no centro de Manhattan. Nova York é um destino que pode muito bem ser desbravado caminhando e com o transporte público, além disso, o trânsito na cidade é caótico e os estacionamentos caros, então não compensava alugar um veículo desde o aeroporto.

Optamos pela Hertz  pela quantidade de lojas e melhores opções de veículos dentro de Manhattan. A unidade que escolhemos ficava bem perto do nosso hotel, umas 3 quadras, no número 310 East da rua 48. Nossa tarifa escolhida era a All Inclusive Light, que incluía milhas livres, LDW (proteção contra perda, roubo, danos e colisão, LIS (proteção contra terceiro), taxas obrigatórias e um motorista adicional. Não pedimos GPS porque, como estávamos com chip de celular dos EUA, usamos o Google Maps e Waze, que funcionavam muito bem. Fiz todas as cotações pelo site da empresa: https://www.hertz.com.br/rentacar/reservation/

A Hertz tem diversas lojas em Manhattan

O total da nossa locação, pegando um carro categoria Q4 na manhã de 31 de março e com devolução na noite de 11 de abril na mesma loja de retirada, ficou em US$ 457,60 pagos no Brasil, já transformados em real com a cotação do dia e parcelado no cartão de crédito. Desse total, a Hertz nos deu um desconto de 12% por conta da experiência do blog. De qualquer maneira, sem o desconto, o valor a ser pago seria os US$ 457,60 mencionados. Foram 11 diárias cobradas, o que sairia, sem o desconto US$ 41,60 por dia.

Nós costumamos sempre a alugar carros econômicos, porém, como nosso roteiro era muito extenso e Rodrigo é alto, optamos, dessa vez, por um carro mais confortável. Sendo assim, escolhemos a categoria Q4, que tem veículos considerados mini SUV. Pode ser o Jeep Compass ou outro similar. No nosso caso, pegamos um Nissan Rogue. Além do conforto, ele é automático, aliás, acho que nem existe carro manual para alugar nos EUA.

Carro alugado da categoria Q4. Pegamos o Nissan Rogue

Fronteira

Para cruzar a fronteira dos Estados Unidos com o Canadá não é cobrada nenhuma taxa adicional desde que o carro seja devolvido no mesmo país que foi locado. No Brasil, só nos disseram para avisar que iríamos cruzar a fronteira na hora de retirar o carro. No guichê da Hertz apenas nos alertaram para ficar sempre com os papéis de locação e documento.

Os brasileiros precisam de visto de turista tanto para os Estados Unidos como para o Canadá, então, é importante estar com os documentos em mãos, óbvio. Na entrada para o Canadá via Niagara Falls, quase não houve perguntas na aduana. A agente apenas quis saber em qual cidade estávamos previamente e quanto tempo ficaríamos no Canadá.

Na volta para os EUA, passamos por uma fronteira bem pequena entre o Estado canadense se Quebec e Vermont, nos Estados Unidos. O agente da aduana fez algumas perguntas, como se tínhamos frutas e produtos alcoólicos no carro. Ele também não conseguia achar meu carimbo de chegada no Aeroporto de NYC, que estava realmente um pouco apagado, e pediu que eu o encontrasse. O carimbo do Rodrigo estava bem visível e ele não perguntou nada.

Em caso de alugar o carro nos EUA e devolver no Canadá e vice-versa é cobrada uma taxa bem cara de devolução em outro país, isso acaba encarecendo bastante a viagem. Como íamos devolver no mesmo local de retirada, o valor era normal. No Canadá, em nenhum momento, tivemos problemas por usar um carro dos EUA e nem nos pediram documentos.

Rodovias e pedágios

As rodovias nos EUA e Canadá, pelo menos as quais pegamos, eram perfeitas. Nada de buracos ou remendos nas pistas. Limite de velocidade? Quase não víamos e também foram poucos radares ao longo da jornada. Rodrigo sempre mantinha uma velocidade por volta dos 100km/h, porém, havia carros que estavam muito mais velozes. Porém, como não conhecíamos nada, tomamos bastante cuidado.

Os pedágios, principalmente no Canadá, são, basicamente, inexistentes. Se gastamos 5 dólares canadenses em todo o trajeto foi muito. Nos Estados Unidos pagamos um pouco mais de pedágio, acho que uns US$ 40 contando ida e volta. Os pedágios mais caros estão na entrada para Nova York, coisa de US$ 20 ou US$ 25. É possível acionar nos carros aqueles sistemas para passar direto nos pedágios, sem precisar parar e o valor cai no cartão. Não usamos, pagamos tudo em dinheiro mesmo.

As paradas nas rodovias são abundantes. Geralmente, há placas avisando quais são os serviços oferecidos nas paradas seguintes, como postos de gasolina ou lanchonetes. Principalmente nos EUA, há vários restaurantes Wendy´s. Já no Canadá tem a cafeteria Tim Hortons, que serve café da manhã, almoço e jantar, e Burger King.

As rodovias eram incríveis, apenas em alguns passeios pegamos estradas menores. Na foto, a Ilha de Orleans, em Quebec

Estacionamento nas cidades do roteiro

Em Nova York não ficamos com o carro, só pegamos e devolvemos, os estacionamentos tem diárias em torno de US$50. Em Niagara Falls, o centro da cidade é bem cheio, é recomendado deixar o carro no estacionamento do hotel e fazer os passeios caminhando. Apenas se optar pelo passeio de helicóptero com a Niagara Helicopters, use o carro, pois o local de saída fica distante do centro e a empresa oferece estacionamento grátis. Os hotéis costumam ter estacionamento também, cobram em torno de 10 dólares canadenses ou o uso é liberado. No meu, o Days Inn Niagara Falls Near the Falls, meu estacionamento acabou sendo gratuito.

Em Toronto há diversos estacionamentos públicos com valores atrativos. Havia estacionamento no meu hotel, o Novotel Toronto Centre, porém, ao lado tinha um público. Na primeira noite, como era tarde, deixamos no hotel mesmo, depois transferimos para o público. Era 12 dólares canadenses a diária, coisa de R$ 32. Para localizar os estacionamentos públicos, tem um site bem legal, é esse aqui. É só colocar um endereço que ele coloca as opções ao redor, ele mostra facilmente o preço por hora de cada um, para ver as diárias, selecione a aba “rates”.

Na cidade de Quebec também há vários estacionamentos públicos. Porém, estava nevando e fazendo muito frio na cidade, sendo assim, optamos por deixar o carro no estacionamento do nosso hotel mesmo, o Auberge Saint-Antoine, com vagas cobertas e manobrista. Custava 30 dólares canadenses, algo como 78 reais a diária. Era um pouco caro, realmente, mas foi bem confortável e, apesar de não haver necessidade de carro para os passeios na cidade em si, conseguimos ir até a Ilha de Orleans, que é incrível.

Em Sutton, a cidade com o centro de esqui Mont Sutton, não há problemas de estacionamento. No nosso hotel, o Auberge Sutton Brouërie, tinha estacionamento gratuito e a estação de esqui também.

Nas paradas para compras em Nashua, Estado de New Hampshire, e em Central Valley, não pagamos estacionamento em nenhum shopping, outlet ou supermercado.

Gasolina

Para rodar os mais de 2500 quilômetros gastamos em torno de R$ 800 de gasolina. Nos EUA é um pouco mais barato abastecer que no Canadá. Em ambos os países não há frentistas, temos que descer do carro e encher o tanque. As máquinas de autoatendimento aceitam cartões de crédito internacionais, porém, se quiser pagar em dinheiro, como fizemos muitas vezes, é preciso liberar o pedido com o atendente que fica dentro das lojinhas de conveniência de cada posto.

Nosso carro alugado na Hertz, o Nissan Rouge, fazia até 11 quilômetros por litro. Essa também foi a razão por escolhermos ele. Os veículos da mesma categoria geralmente gastam essa quantidade de combustível, sendo que os das categorias de carros maiores, como SUV´s já consomem muito mais. Claro, se mais pessoas estivessem viajando conosco teríamos que optar por um carro maior, mas como éramos só duas pessoas, o Rouge nos atendeu bem e tinha um bom custo/benefício.

Tem que abastecer sozinho nos EUA e no Canadá

Multas

Dessa vez, não levamos nenhuma multa. Mas em outras ocasiões de viagens pelos EUA já levei. Cada Estado ou cidade costuma ter suas políticas. Em alguns a multa já sai no cartão de crédito deixado na empresa de locação. No caso da multa que levamos uma vez por parar em local proibido, em Beverly Hills, Califórnia, deixaram um aviso no carro com um site no qual deveríamos entrar e pagar a multa com cartão de crédito. Por isso, fique atento às cobranças de seu cartão crédito.

Dirigindo no exterior e com neve

Como as rodovias eram boas e o carro automático, Rodrigo achou muito fácil percorrer grandes distâncias em um dia, como o trajeto de mais de 800 quilômetros entre Toronto e Québec que fizemos em dez horas, com paradas para refeições. Pegamos estrada com neve, principalmente, perto de Quebec. É um pouco mais difícil dirigir para quem não está acostumado. Mas as rodovias recebem produtos adequados para a neve não se acumular e só é preciso ser mais cauteloso. Em casos extremos, quando a nevasca é muito intensa, as rodovias são fechadas.

Os veículos alugados costumam ser equipados com uma espécie de “rodo” que serve para tirar o excesso de neve dos vidros em caso do carro ficar algum tempo parado em área descoberta. Se o seu carro passar a noite sem cobertura e nevar muito, calcule uns 10 minutinhos pela manhã para limpá-lo.

Neve cobriu nosso carro na cidade de Sutton

Paisagem e liberdade

Outros pontos positivos de uma viagem de carro são: poder ver a paisagem e liberdade de decidir horários. No avião, só temos paisagens bonitas no pouso e decolagem. E, seja de trem ou voando, lidamos com horários rígidos. Com o carro, se aparece um cenário bonito, podemos apreciar, parar e tirar fotos. Uma grande surpresa do caminho foi passarmos em meio ao Franconia Notch State Park na Floresta Nacional de White Mountains. Ficamos com vontade de parar e ver o que o parque tinha a oferecer, pois era um lugar lindo. Porém, não estava na nossa programação, mas, com certeza, já nos deu ideias de novos roteiros, que não teria surgido se estivéssemos voando.

Franconia Notch State Park em New Hampshire

Texto: Sylvia Barreto

Fotos: Sylvia Barreto e Rodrigo Barrionuevo

*Tivemos desconto de 12% na locação do carro pela Hertz

 

 

 

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18 comentários sobre “Viagem de carro entre EUA e Canadá

    • Oi, Érico, os pneus eram os comuns do carro mesmo, não tem opção de pneus diferentes. A única coisa especial p neve que vinha no carro era um tipo de pá para tirar a neve que acumula nele, mas nem precisamos pedir.

    • Oi, Camila, que bom que gostou! Eu reservei por aqui mesmo, pesquisava tudo pelo site da Hertz (acho que ele direciona automático p Brasil qd lê seu IP) e fechei por e-mail porque a assessoria de imprensa me ajudou, mas pelo site também dá para fechar. Minha reserva foi feita um mês antes da viagem.

  1. Ola…seu post foi o melhor q vi até agora. ..muito bom
    só precisava saber quanto em média ficaram os gastos da viagem pro casal, pois pretendo fazer essa rota (com algumas alterações) por 12 dias…
    Poderia me dizer, se não for incômodo?
    obrigado e Parabéns pelo blog

      • Oi, Jessica, tudo bem? Em relação ao carro, gasolina + pedágios (que são poucos) gastamos pouco menos que 2000 reais. De refeições para dois em 17 dias de viagem (ficamos alguns dias em NYC sem carro) gastamos em torno de 3200, pode colocar uma média de 25 dólares (dos EUA) ou do Canadá por pessoa e por refeição para ter uma folga. Sobre hotéis, não tenho essa conta porque fiz parceria com alguns e também tinha pontos em programas de fidelidade e troquei por hospedagem. Mas posso te passar algumas ideias: Nyc, se quiser ficar em Manhattan mesmo a diária gira em torno de 150 dólares, indico a rede Apple Core que tem 4 hotéis econômicos e bem localizados. Em Niágara, Toronto e Quebec os preços são bem menores. Em Niágara fiquei no Days Inn Niágara Falls Near the Falls (diárias a partir de 150 reais). Em Toronto fiquei no Novotel e, em Quebec, no Auberge Saint-Antoine, mas são hotéis econômicos. Aqui no blog você consegue ver posts sobre alguns deles.

  2. Nossa, que fera! Muito obrigada pelas informações. Vou procurar esses posts sobre hotéis. Ainda não entendi se vocês dormiram em todas as cidades do percurso, ou se em algumas vocês só passaram mesmo… pq se não talvez não dê pra aproveitar muito bem cada destino, né? Ah, e última coisa, vc fechou os hotéis já daqui do Brasil?? Amei o blog, de verdade, parabéns

  3. Olá
    Vou fazer uma viagem muito parecida com a de vocês, vou com meu esposo e um casal de amigos.
    Queria saber como fizeram para solicitar o visto canadense?

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