Descobrindo o litoral sul da Bahia – parte III

Volto a contar minhas experiências no extremo sul do litoral baiano. Vocês podem ver a parte I e parte II nas quais falo sobre Porto Seguro e Prado. Hoje, descrevo minha visita ao Arquipélago de Abrolhos, lugar sensacional.

De Caravelas a Abrolhos com baleias no meio

Saindo de Caravelas

Lembro das aulas de geografia de um dos meus professores, o Remy. Ele contava sobre o Arquipélago de Abrolhos e como a vida marinha de lá era rica. E chegou o dia de conhecer esse lugar dos meus livros. Estava hospedada em Prado e de lá fui para Caravelas com o grupo de jornalistas. Levamos cerca de uma hora para chegar, talvez menos.

Caravelas é a cidade da qual saem as embarcações para Abrolhos. Ela é conhecida como a Princesinha de Abrolhos. Não devia ser nem nove da manhã quando embarcamos. O céu ficava limpo de nuvens aos poucos.  Fomos com um barco da empresa da empresa Horizonte Aberto (www.horizonteaberto.com.br) e o passeio  de um dia com refeições  custa R$ 237 (com a taxa de R$ 27 de entrada na ilha inclusa no valor).

Explicações no barco

Os barcos da Horizonte Aberto levam até 30 pessoas. Logo na saída, os instrutores explicam sobre o Arquipélago. Ele fica a 70 quilômetros da costa brasileira e é composto por cinco ilhas: Redonda, Guarita, Siriba, Santa Bárbara e Sueste. Desde 1983, existe o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos com mais de 90 mil hectares. Apenas a Santa Bárbara não faz parte dele por pertencer à Marinha do Brasil. Mas a grande riqueza de lá é a vida marinha, que logo mais eu conheceria.

A melhor época para mergulho em Abrolhos é, sem dúvida, o verão. Os dias são ensolarados e o mar está mais iluminado, portanto, melhor para ver os animais marinhos. Eu fiz o passeio em setembro, que apesar de não ser verão,  guarda uma surpresinha: a observação de baleias jubartes no caminho entre Caravelas e Abrolhos.

Após comer frutinhas cortadas pela tripulação do barco e uns pãezinhos, tudo fresco, fui para  frente da embarcação. Estava ansiosa porque nunca tinha visto baleias no mar. Acontece que de setembro a novembro as jubartes saem do sul do planeta e escolhem o belo sul da Bahia para alimentação e reprodução. Elas passam dois meses na maior festa, só comendo e fazendo amor. Ah, claro, as mamães cuidam de seus bebês. Como sempre, mãe tem suas obrigações.

As baleias costumam ficar com a cauda para cima

A primeira baleia que vimos deu um espetáculo de muitos minutos. Ela ficou por muito tempo com a cauda para cima e tiramos dezenas de foto. Depois, vimos diversos grupos competitivos. Explico, uma baleia fêmea é muito disputada, então, quando é encontrada, logo se aglomeram diversos machos ao seu redor e brigar por sua atenção e…seus carinhos. É lindos ver esses grupos. Os animais são gigantes, alguns chegam a 16 metros e quarenta toneladas. Muitos tinham o tamanho do barco em que eu estava. E, para completar, elas cantam.

Muito difícil acertar a foto quando a baleia pula

Nem sei dizer por quanto tempo apreciamos as baleias. Fiquei impressionada com o tamanho. Às vezes elas dão uns saltos, mas é muito difícil pegar esse momento exato e tirar foto. Mas mais maravilhas ainda me aguardavam em Abrolhos. Fiz até um vídeo delas, só clicar aqui

O almoço é preparado no barco mesmo

No passeio que eu fiz estava incluso o mergulho com o snorkel. Quem quiser fazer com cilindro, paga um pouco mais. Aliás, há excursões de dois ou três dias para Abrolhos para aqueles que querem mergulhar. As embarcações, inclusive a que eu estava, tem cabines simples com locais para dormir.

Chegando em Abrolhos

A primeira coisa a fazer, antes do mergulho, era visitar a Ilha Siriba, a única que pode receber a presença de turistas. O passeio começa em uma espécie de praia formada por centenas de pequenas conchas e corais na extremidade sudoeste da ilha. Na outra extremidade, piscinas naturais com peixes coloridos. A trilha é pequena, apenas 1600 metros. A primeira coisa a ser notada é a grande quantidade de atobá-branco, ou pilotos, que existe no local. Eles estão acostumados com os turistas, ficam imóveis. Um guia acompanha o grupo e explica sobre Siriba e todo o arquipélago. É permitido que a visitação de até 225 pessoas por dia no local, porém, esse número atualmente não costuma ser atingido. Fiz um vídeo no local, só clicar aqui.

A ilha de St. Bárbara é a única que não faz parte do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, ela é da Marinha do Brasil

Após a visita, hora do mergulho. É no fundo do mar que fica a maior riqueza de Abrolhos. Ao redor do arquipélago, a profundidade da água atinge, no máximo, 30 metros. O local fica em uma área de plataforma continental. Esse fator permite que peixes e outros animais sejam vistos com facilidade. A transparência da água e a beleza do fundo do mar criam em Abrolhos a sensação de se estar mergulhando em um imenso aquário.

Descendo na Ilha Siriba

Alguns dos peixes mais facilmente observados são o budião azul, badejo, pintado, sargentinho e agulha. Eu vi todos esses, mas tem muitas outras espécies. Meus colegas viram também uma tartaruga. O arquipélago é habitado por três tipos delas: cabeçuda, de pente e verde. O período reprodutivo desses animais é entre setembro e março. Elas costumam nadar próximo às ilhas e são facilmente vistas. Porém, eu, não vi nenhuma.

O atobá-branco, ou piloto, é comum em Siriba

Outra beleza do fundo do mar de Abrolhos são os corais. O arquipélago fica na principal formação de corais da América do Sul. O Parque inclui dois grandes blocos deles: o Parcel de Abrolhos e o Recife das Timbebas. O coral-cérebro é o mais visto e só existe na Bahia, ele tem esse nome porque realmente parece um cérebro. Além desta, há outras 15 espécies em Abrolhos.

O atobá-marrom vive em outra ilha de Abrolhos, mas deu um pulinho para fotos em Siriba

Ficamos por volta de três horas em Abrolhos, contando com o tempo que almoçamos. E, a comida, toda preparada no barco. Na volta, já no fim do dia, mais baleias e muito sol. É um lugar do Brasil pouco visitado ainda, como disse, a Ilha Siriba nunca atinge seu número máximo de visitantes. Porém, é uma das regiões mais lindas que já visitei no país.

Sylvia Barreto

*viajei a convite da Bahiatursa

Reparem no filhotinho

Voltando para terra firme

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